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BAIÃO CANAL | Jornal N.º 7 - Maio 2021

BAIÃO CANAL | Jornal N.º 7 - Maio 2021

POLÍTICA | PCP Baião | Tempos de forte resistência

PCP

Muitos portugueses da minha geração sabem de cor estes versos: «A morte saiu à rua num dia assim/naquele lugar sem nome pr’a qualquer fim/Uma gota rubra sobre a calçada cai/ E um rio de sangue dum peito aberto sai».
Lembrei-me deles e da canção que ao terminar repete com angústia «o pintor morreu, o pintor morreu, o pintor morreu» referindo-se a um facto da resistência ao fascismo, eternizando a história de um assassinato ocorrido há quase 60 anos.
Em 19 de dezembro de 1961 o pintor José Dias Coelho militante comunista e funcionário do PCP a viver na clandestinidade, foi cercado por uma brigada de cinco agentes da PIDE na rua dos Lusíadas em Alcântara, Lisboa, por volta das oito horas da noite.
Na perseguição que se seguiu ao cerco, até à Rua da Creche, hoje Rua José Dias Coelho junto ao Largo do Calvário, os agentes da PIDE dispararam sobre ele dois tiros de pistola, um à queima-roupa no peito deitando-o por terra e o segundo disparado com o ferido já prostrado no chão.
Precipitadamente os agentes da polícia política do Estado Novo meteram o corpo no carro e só duas horas depois, quando José Dias Coelho agonizava, o entregaram no hospital da CUF, onde morreria pouco depois.
Tinha 38 anos, completados em 11 de Junho desse ano de 1961.
Com pouco mais de 20 anos, José Dias Coelho era estudante da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa quando aderiu ao Partido Comunista Português e em virtude da sua actividade de funcionário político do Partido, passou à clandestinidade, no entanto e apesar do seu trabalho político, não deixou o trabalho artístico e criou diversas gravuras que foram utilizadas na imprensa clandestina.
Um mês antes de ser assassinado desenhara e talhara em linóleo um desenho sobre outro assassinato cometido pela repressão salazarista: a morte do operário Cândido Martins, abatido pouco tempo antes à frente de uma manifestação de trabalhadores em Almada.
Para legenda dessa gravura José Dias Coelho escreveu esta frase: «de todas as sementes deitadas à Terra é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas».
José Dias Coelho era ainda muito jovem quando aderiu à Frente Académica Antifascista e mais tarde, em 1946, ao MUD Juvenil, tendo participado em várias lutas estudantis em 1947 e aderido ao Partido Comunista Português em 1949.
Foi detido pela PIDE após participar na campanha presidencial de Norton de Matos e em 1952 foi expulso da Escola Superior de Belas Artes e impedido de ingressar em qualquer faculdade do País, sendo também demitido do lugar de professor do Ensino Técnico.
Em 1955 entra para a clandestinidade, enquanto exercia funções no Partido Comunista Português, com o objetivo de criar uma oficina de falsificação de documentos para dar cobertura às atividades dos militantes clandestinos e exercia esta atividade na altura do seu assassinato pela PIDE.
Hoje os tempos são outros e outra é também a geração actual, no entanto, a luta pela transformação do mundo continua, pois o fascismo levanta de novo a cabeça e pior ainda está presente em Parlamentos de países ditos democráticos, mas em que a permissividade ao seu ideário suplantou a própria democracia.
Estamos em 26 de Fevereiro de 2021 e o dia nacional de luta arrancou com um piquete dos trabalhadores da DHL às 10h, frente à sede da empresa, na Vialonga, que contou com a presença da secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.
Estes trabalhadores não aceitam o que consideram ser «aumentos de miséria», colocando os salários poucos euros acima do salário mínimo nacional, ao contrário do aumento geral de 90 euros para todos que reivindicam.
Com esta paralisação, exigiram o fim da «pressão, repressão e perseguição» aos que laboram no armazém Plaza 1 de Azambuja, por terem exercido o seu direito e recusado a alteração dos seus descansos ao fim-de-semana.
Também durante a manhã, à entrada dos Hospitais da Universidade de Coimbra, os enfermeiros fizeram um protesto contra a «carência estrutural» destes profissionais e a precariedade que continua a ser uma realidade de muitos. Considerando «intolerável» que o Governo tenha, em plena pandemia, viabilizado a admissão de enfermeiros com contratos a termo certo, os enfermeiros criticam o facto da situação só ter sido revertida para aqueles que foram admitidos até dia 31 de Julho de 2020, excluindo mais de 1800 enfermeiros.
No Hospital de Sto. António, no Porto, os enfermeiros também se queixaram das «medidas de contratação precária», considerando que revelam uma «preocupação sub-reptícia de poupança».
Em dia de luta nacional, estes trabalhadores denunciam os 145 enfermeiros deste centro hospitalar que detêm contratos precários e que estarão na iminência de ficar desempregados, «mesmo fazendo tanta falta para colmatar carências estruturais do SNS».
No Algarve, os trabalhadores juntaram-se à luta em dezenas de acções para «inverter o rumo de desvalorização do trabalho» e «romper com o modelo de baixos salários». Na região mais afectada do ponto de vista económico e social em consequência da pandemia, os trabalhadores denunciam o modelo de desenvolvimento regional «afunilado num único sector de actividade, o Turismo».
Em Coimbra, os trabalhadores dos serviços hospitalares concentraram-se, de manhã, para denunciar as discriminações de que continuam a ser vítimas ao nível da falta de pessoal, condições de trabalho, e dos procedimentos e medidas de protecção e segurança e ausência de vacinação.
Mais tarde serão os trabalhadores dos refeitórios escolares a protestar junto à Câmara Municipal de Coimbra, para manifestar a difícil situação em que vivem, após o despedimento de que foram novamente alvo pela empresa ICA com o encerramento das escolas.
«Vamos ter uma grande jornada de luta, com muitos milhares de trabalhadores em protestos por todo o País, na rua ou nas empresas, mas garantindo sempre as regras de protecção da saúde, com máscaras e distanciamento», disse à agência Lusa a secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.

PCP Baião

 

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